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quinta-feira, 6 de março de 2014

Skhizein – O homem que vive a 91 centímetros dele mesmo

O curta-metragem de animação Skhizein (França, 2008) faz o espectador acompanhar o sofrimento do pobre Henri, acometido por um mal súbito e incontrolável. 
O filme mostra de maneira simbólica o sentimento de deslocamento em relação ao mundo,  vivido pelo personagem, que está a 91 centímetros dele mesmo. 

Vale o play.



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Rie chinito se rie...


Y yo lloro porque
El chino rie sin mi

Rie en la noche y achina
Los ojos morochos
Mas lindos que vi
 
 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Bagunça

Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Essa moça ousa, musa, abusa de todo meu sim
Você me bagunça e tumultua tudo em mim
E ainda joga baixo, eu acho, nem sei,
Só sei que foi assim

Assimila, dissimula, afronta, apronta, diz: "carrega-me nos abraços"
Lapida-me a pedra bruta, insulta, assalta-me os textos, os traços
Me desapropria o rumo, o prumo, juro me padeço com você
Me desassossega, rega a alma, roga a calma em minha travessia
Outro "porquê"

Parece que o coração carece e diz: "pára!" Silencia.
Se embrulha e se embaralha,
Reconsiderar o ar, o andar , nossa absolvição, a escuta e a fala
Nos amorizar o dia, fio, corredor, a calçada, o passeio e a sala
Se perder sem se podar e se importar comigo
Aprender você sem te prender comigo

:)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

escrava de mim

Por mais livre que eu imagine ser, sou uma eterna escrava de mim,
escrava das minhas frustrações, obrigações, dramas, ilusões.
Eu posso largar a faculdade, o trabalho, a casa... mas eu não consigo
me largar. É difícil se despedir da gente, mesmo que eu queira muito mudar de mim, eu não consigo.
É uma briga feia, daquelas que até o vizinho sai na janela pra assistir.

Na sala, ou na China
no quarto, ou no Marrocos,
eu sempre vou estar comigo,
é triste.
Não gosto de mim.

Queria ser uma viciada em tele-novela, em programas bobos de domingo, em músicas fúteis, recheadas de vazio. Pelos menos quem gosta disso parece muito feliz.

Queria não saber. Não saber de nada. Me livrar de Kafka, de Chico Buarque,
Eduardo Galeano, de todas as edições especiais.
De Hitchcock, Bergman, Kubrick, Godard, Fellini, Tarantino, Lars von Trier...

Me lilvrar de tudo que provoca a alma, que instiga, que perturba, que desassossega.

de toda essa cor, 'Almodovariana'
de toda essa Frida Kahlo que me habita
de todo surrealismo.

eu podia me dedicar ao bordado, academia, leitura de revistas de fofoca, revistas de ensinam a perder peso comendo, jogos e aplicativos inúteis do facebook.

por que diabos eu escolhi me dedicar ao drama? Doutor?

Sigo então assim, sendo uma eterna escrava de mim.









sábado, 7 de janeiro de 2012

Tempo de pipa

Quando você vem ou não?
O que você quer de mim?
Deixo por aí
O que você tem?
De onde você é?
Pode me esquecer
Se você quiser
Ou se deixar chover
Se você vier

Eu vou te acompanhar de fitas
Te ajudo a decorar os dias
Te empresto minha neblina
Vamos nos espalhar sem linhas
Ver o mundo girar de cima
No tempo da preguiça

Mas tudo bem
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo

O que você é enfim?
Onde você tem paixão?
Segue por aí
Eu não sou ninguém de mais
E você também não é
É só rodopiar
Em busca do que é belo e vulgar

Vamos onde inventar, menina
Foi bom te encontrar, lá em cima
Odeio despedidas

Mas tudo bem
O dia vai raiar

Pra gente se inventar de novo



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Poema

Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro

Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás....
 
 

terça-feira, 5 de julho de 2011

a arte

de digitar por 5 minutos
e mandar 3 palavras

digita
digita
digita
digita
digita

apaga
apaga
apaga
apaga
apaga



o que é isso doutor?



domingo, 3 de julho de 2011

Por que você ama quem você ama?

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim.

Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar (ou quase). Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim.  
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito do amor da sua vida!


(Martha Medeiros)




"Se a Leticia Ramos não tivesse provavelmente bebendo no sandubom ateh tarde da noite eu teria algo pra mostrar pra ela"
 (mas eu não estava no Sandubom, por incrível que pareça, e daí o Sérgio me mandou esse texto e disse que é a minha cara, fim!)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Amor Líquido

Amor e morte, cada um deles nasce, ou renasce, no próprio momento em que surge, sempre a partir do nada, da escuridão do não-ser sem passado nem futuro; começa sempre do começo, desnudando o carater supérfluo das tramas passadas e a futilidade dos enredos futuros…
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… não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas nos estímulo a participar da gênese dessas coisas. O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.
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Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual grande incógnita da equação do outro. É isso que faz o amo parece um capricho do destino – aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas , em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade do ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor. “A satisfação no amor individual não pode ser atingida… sem humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeira”, afirma Erich Fromm – apenas para acrescentar adiante, com tristeza, que em “uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar sera sempre, necessariamente, uma rara conquista”
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E assim é numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resulstados que não exigem esforço prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro. A promessa de aprender a arte de amar é a oferta ( falsa, enganosa, mas que se deseja ardentemente que seja verdadeira) de construir a “esperiência amorossa” à semelhança de outras mercadorias, que fascinam e seduzem exibindo todas essas características e prometem desejo sem ansiedade, esforço sem suor e resultado sem esforço.
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Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.
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Retirado do livro Amor Líquido de Zygmunt Bauman

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Carpinejar

"O amor não é para os equilibrados. Não somos feitos para nos encaixar, mas para arrebentar as caixas.
Seduzir é cutucar, esbarrar, encher o saco, expor as fantasias, ensaiar aproximações novas, não desistir da personalidade, contrariar as expectativas, fazer drama para despencar na comédia. "

"Porque amor é justamente isso, é ficar inseguro, é ter aquele medo de perder a pessoa todo dia, é ter medo de se perder todo dia. É você se ver mergulhado, enredado, em algo que você não tem mais controle."


terça-feira, 3 de maio de 2011

Vermelho

As vezes eu só quero descansar
Desacreditar no espelho
Ver o sol se pôr vermelho

Acho graça

Que isso sempre foi assim
Mas você me chama pro mundo
E me faz sair do fundo de onde eu tô de novo

Nada sei dessa tarde
Se você não vem
Sigo o sol na cidade
Pra te procurar

Eu bem sei onde tudo vai parar
Já não tenho medo do mundo
Sou filho da eternidade

Trago nesses pés o vento
                     Pra te carregar daqui
                                                                      
                                                                            Mas você sorri desse jeito
 E eu que já perdi a hora e o lugar
Aceito.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O que será que será?



É muita coisa estranha acontecendo;
É muita pergunta para pouca resposta;
Sei lá, acho que eu caí de algum disco voador, não sou daqui;
Não sei o que eu quero;
Sei o que eu não quero;
Não sei o que eu sinto;
não tem nome meus sentimentos;
Mas eu sinto, e dói, e consome.
É açúcar demais,
É café de menos.
A única coisa que está crescendo aqui,
é a pilha de roupas sujas.
A única coisa que me dá força,
É o Nescau 2.0.
As pessoas me decepcionam;
eu decepciono as pessoas;
no final das contas, estamos todos quites.
Olho e não vejo;
Ouço e não escuto;
Penso e não falo;
Prefiro assim.
Eu gosto do silêncio;
Eu gosto de ficar sozinha;
mas quando isso é uma opção.
Não importa mais o caminho,
eu sempre chego até a metade e volto.

e agora José? 
_________________________________

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite.



domingo, 27 de março de 2011

é isso

***

"Então o amor e a amizade são isso. Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço"

Mário Quintana




passeando pelo blog Vida operária
achei esse poema lindo do meu amigo Mário! E nada mais digno que as palavras dele, sobre esse monstrinho chamado amor. 

***