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domingo, 14 de outubro de 2012

Video Litteris

Experimentação galera! Achei muito bacana a ideia desse projeto, que basicamente são experimentações artísticas, literárias etc. Acho que se tivéssemos mais senso de coletividade, teríamos vários projetos assim rolando por aqui. A ideia do Video Litteris é muito simples e bonita, e muitas vezes falta-nos o simples. Muitas vezes temos ideias para projetos mirabolantes e não fazemos porque está fora do no$$o alcance. Por que não começarmos por coisas simples, experimentações desapegadas do resultado? Confiram como é o projeto e inspirem-se para novas experimentações, bonitos!


O projeto

O projeto Video Litteris, aprovado no Edital Núcleo de Criação 2012 pelo Rede Cultura Jovem, é desenvolvido com base intersemiótica, na qual literatura, design gráfico e experimentação artístico-visual são mesclados. Neste endereço online serão publicados poemas, imagens e outras mídias de arte resultando da produção e experimentação do projeto, vídeos do processo de criação e foto-registros de tempestades cerebrais coletivas

domingo, 15 de julho de 2012

Canto de Ossanha

O homem que diz "dou"
Não dá
Porque quem dá mesmo
Não diz
 O homem que diz "vou"
Não vai
Porque quando foi
Já não quis
O homem que diz "sou"
Não é
Porque quem é mesmo "é"
Não sou
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer

Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor 

Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer

A tristeza de um amor
Que passou
Não
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá 
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer




versão lindíssima da canção de Vinícius. APLAUSOS.



domingo, 15 de abril de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A arte da Impermanência

É inevitável ver as coisas se diluírem um dia, dói... dói muito, mas a dor pior é a dor da permanência.
Pessoas queridas e amadas, não o deixam de ser porque estão distantes ou porque se foram. Saber que as coisas não são para sempre nos faz valorizar muito mais tudo que temos, e todos que amamos.
É preciso deixar que as coisas fluam, que as coisas mudem de lugar, para dar lugar a outras. Nossa vida não é, e não pode ser estável, imutável, isso não rende literatura. 

É difícil ficar longe de certas pessoas, às vezes insuportável, insustentável...
Mas acho que somos assim porque somos egoístas, o ser humano tem essa terrível mania de querer prender passarinho na gaiola... Claro, que amamos muito esses passarinhos, metaforicamente falando, mas amor não prende, não possui, amor é deixar partir, é desprender-se, é liberdade, é não se sentir sozinho porque os pássaros migraram para o sul.
Que tal fazer as pazes com o mundo, e aceitar a impermanência das coisas? Apenas contemplar o fato de que as coisas no fundo no fundo não nos pertencem e que não podemos alterar o fluxo dos acontecimentos, que um dia vamos morrer, que muitas e tantas vezes, nossos desejos e nossos apegos são nossos maiores inimigos, traz um profundo sentimento de tranqüilidade.

Para os budistas, essa nossa realidade firme e concreta, feita de acontecimentos e de certezas é um sonho. Na contramão de todas as aparências, o mundo das coisas, não é tão sólido assim.  

"A vida é uma série infindável de manifestações, um fluxo constante de criações, transformações e extinções, um constante vir a ser. (...)"  
Georges da Silva - Psicológico do budismo.


Impermanência (Anicca) - Absolutamente todas as coisas são compostas, e tudo o que é composto se decompõe, se desmancha. Tudo o que é agregado se desagrega. A realidade no sentido Budista é a impermanência. As gentes não aceitam a impermanência. Queremos ter o que tínhamos e não temos mais. A impermanência nos mostra que não devemos nos apegar ao que tínhamos, mas sim ao que somos, neste minuto, neste segundo, aqui e agora, e sempre com a devida responsabilidade.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Era de Aquário!

A ERA DE AQUÁRIOS E O ANO DE 2012

http://fmarcondesvelloso.blogspot.com

Flávio Marcondes Velloso

  À luz da obra de José Augusto Lopes Sobrinho, tudo está no éter e não há contornos. Por certo o ano de 2012 virá e, com a velocidade com que anda a Terra, bem mais cedo do que procuramos protelar, adiar, perceber, admitir.

  Faz-se corrente a observação de que nenhuma data anterior a essa foi tão importante para tantas culturas, cientistas e governos, ao mesmo tempo, na espera de algo extraordinário. Solstício de 21-12-2012? Inversão do campo magnético da Terra? Cataclismos? Aniquilação da raça humana? Início de um outro tipo de mundo?

  Em um sentido apocalíptico, o nosso planeta já deveria ter sido acabado inúmeras vezes, como na virada do ano de 2000 ocorreria o “bug do milênio”, entre inúmeras outras alarmantes previsões, premonições, profecias, algumas delas centenárias senão milenares...

  Inegável, todavia, o momento histórico. Passamos de 2000 e seguimos rumo à fatídica data... Em outras palavras, de conformidade a estudos dos astros, estamos nos anos finais da Era de Peixe, na aurora da Era de Aquários, que deverá representar um ciclo de grandes transformações. Transformações positivas, inafastáveis!

  Especulações à parte, fato é que o homem não suportaria mais o continuísmo de sua imatura e contraditória civilização. A pretexto de se alcançar o presente e de se preparar o futuro, sua história é quase toda de sofrimento, de egoísmo, de grito, de dor e de exaurimento. Já houvesse germinado o amor universal, a grande chave para a era que se avizinha, não teríamos feito do planeta redutos de opulência circundados de bolsões de miséria. A propósito, é isso o máximo que conseguimos?

  Não bastasse tamanha disparidade e incoerência, as providências  diplomáticas com o intento de conter o grave aquecimento global, nomeadamente o Tratado de Kyoto, em quase nada vêm resultando, de forma concreta, estando a Terra esquentando-se aceleradamente e todos os seus percalços, em consequência, sentidos. O desequilíbrio humano refletindo no meio, por sua postura devastadora, implacável, equivocada, egocêntrica.

  O homem ainda não aprendeu a amar, o único e profundo propósito de seu nascimento sobre a Terra, o amor incondicional, a generosidade. Torna-se lógico, racional, portanto, uma necessidade inadiável de profundas transformações. Eis o peso do ano de 2012. Identificado por variadas e diferentes fontes, dos místicos aos cientistas, como um marco sinalizador para um novo estágio, supostamente o ano da instalação integral dessa Nova Era, muito além dos fenômenos geográficos, climáticos e de uma efetivamente drástica mudança terrena, não tão silenciosamente em curso.

  Motivo para pânico ou renovada esperança? Como nos prepararmos para essa transformação? Tal necessidade já é latente e cada vez mais intensa em nossos corações. Apenas teríamos que deixá-la fluir em nós, para a qual não basta mais sermos simplesmente humanos, é preciso que cultivemos o nosso interser, a nossa  consciência e atuação social responsável, respeitando-se a tudo e a todos, considerando cada um parte desse todo e, por conseguinte, parte de nós mesmos. Não haverá alternativas outras: - ou vamos por esse caminho ou vamos por esse caminho.

  Especula-se muito, fala-se muito, sobre o ano de 2012 e a Era de Aquários, mas verdadeiramente não há motivo para pânico. Pelo contrário! É preciso sim, que nos preparemos, com lucidez, amadurecimento, serenidade, discernimento.

  Para a evolução da vida na Terra, sempre foram as necessidades que impulsionaram os homens e assim é chegado um tempo decisivo à humanidade. E que bom! A nós nos será dada a grande oportunidade da transformação para melhor, da transmutação para a nossa essência primordial. Um invulgar “salto quântico”, dentro da perspectiva de um universo autoconsciente, na expressão de Amit Goswami, físico da Universidade de Oregon, autor de “A física da alma”. A Era de Aquários, que se estabelecerá, renovará todos os nossos sentimentos mais elevados, resgatará princípios universais perdidos, ignorados por desatinos mundanos. Um novo conceito de riqueza a ser  firmado, pois rico será aquele que respeitar a Terra como o seu próprio e maior tesouro e amar a toda forma de vida nela existente, de todos os reinos, bem como os seus iguais, não se pretendendo sobrepor a quem quer que seja, animais, minerais etc. Souber usar e compartilhar os recursos excedentes, estando os direitos humanos em primeiro plano, flexibilizando-se a noção de estado, nacionalidade, soberania etc.

  Temos assistido, embora sem nos podermos eximir de nossa condição elementar de protagonistas do espetáculo, a sensíveis amostragens de transformações e caos, nos mais variados níveis e áreas da atividade humana. Consola-nos justamente que, depois do colapso do egoísmo, virá uma civilização baseada na espiritualidade, amor, respeito, responsabilidade e fraternidade. De que lado estaremos, cabe a cada um de nós desde sempre. Afinal a Terra se pronunciará com toda a força exigida.

  Dentro da fórmula de sucesso que mistura pesquisa com ficção, no presente ano teremos o lançamento de “2012, o filme”, cujo trailer já pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=mn1IqCreb_c ou http://www.youtube.com/watch?v=uXcwkcvFJZI   , com legenda em português.

  Em suma, é bom que entendamos, é bom que percebamos todas as nuances da engenharia da vida, do degrau evolutivo do planeta nesse instante de modificações, desnudamentos e metamorfoses... Locais, mundiais, interpessoais, íntimas, essas as mais importantes. Tentemos compreender que a Terra está sendo acabada e paradoxalmente renascida a cada pulsar da nossa existência. Dizem que os antigos profetas erraram, que o mundo não acabou e nenhuma das previsões estaria certa... A próxima, por sinal, seria exatamente em 2012, segundo se especula do calendário maya, dentre outros tantos estudos. Mas será que não acabou, será que erraram? Acreditamos que não! Todos acertaram, em algum aspecto, a seu tempo! Como daqui a quatro anos igualmente, com maior ênfase, na plenitude do advento de uma nova fase, de um novo alinhamento, a esperada, apontada Era de Aquários, sem conflitos, sem guerras, sem inquietações, sem angústias e ansiedades, sem intolerâncias.

  Atentemo-nos! O velho morre a todo instante para que o novo ressurja! Estamos a tratar, especialmente, de valores, com graves consequências para a integridade humana e do meio-ambiente, a cada descuido ou acerto da nossa espécie. O resto independe de nós. Façamos a nossa parte por completo, sem nada exagerar ou excluir.

  É bastante recomendável nós nos revermos a nós mesmos nesse tempo de que dispomos. E se nada parecer dar certo, tentemos uma vez mais o amor. Essa é a senha. Sempre, sempre.

Flávio Marcondes Velloso, 46, professor, é membro da União Brasileira de Escritores, do Colegiado Buddhista Brasileiro, da Associação de Direito e Economia Européia da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, do Instituto Pimenta Bueno da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, autor de “Direito de Ingerência por Razões Humanitárias em Regiões de Conflito”, de “Tribunal Internacional de Justiça, Caminho para uma Nova Comunidade”, dentre outros títulos publicados no Brasil e no exterior. Cursou Economia e Filosofia na The School of Economic Science, Londres, Civilização e Cultura na Université de la Sorbonne, Paris. Encontra-se atualmente em sua terra natal, Guaratinguetá, SP, a escrever o seu novo livro sobre o “Buddha Crístico para o Terceiro Milênio”. No perfil de seu blog http://fmarcondesvelloso.blogspot.com , com reflexões diárias, outros blogs também de sua autoria podem ser visitados.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

El derecho al delírio


O que acham se delirarmos um pouquinho? 
O que acham se fixarmos nossos olhos mais alem da infâmia, para imaginarmos outro mundo possível?

- O ar das ruas limpo de todo o veneno que não venha dos medos e das paixões humanas;

- Os carros sendo esmagados pelos cães;

- As pessoas não mais dirigidas pelos carros, nem programadas pelo computador, nem compradas por supermercados, nem também assistidas pela TV;

- A TV deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como um ferro de passar ou máquina de lavar roupa;

- Será incorporado aos códigos penais o crime de estupidez para aqueles que cometem: viver para ter ou para ganhar ao invés de viver para viver simplesmente, assim como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca;

- Os historiadores não mais acreditarão que os países gostam de ser invadidos;

- Os políticos que os pobres adoram comer promessas;

- Ninguém viverá para trabalhar, todos trabalharão para viver;

- Os economistas não chamarão mais o nível de vida de nível de nível de consumo e nem chamarão de qualidade de vida a quantidade de coisas acumuladas;

- Os cozinheiros não mais acreditarão que as lagostas amam ser fervidas vivas;

- A morte e o dinheiro perderão seus poderes mágicos e nem por falecimento e nem por fortuna um canalha se tornará um virtuoso cavalheiro;

- Ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de tirar sarro de si mesmo;

- O mundo não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá escolha a não ser declarar falência;

- Em nenhum país ira prender os rapazes que se recusarem a cumprir o serviço militar, mas aqueles que querem servir-lo;

- A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direito humano;

- Ninguém morrerá de fome;

- As crianças de rua não serão mais tratadas como lixo, porque não haverá mais crianças de rua, as crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá mais crianças ricas;

- A educação não será privilégio daqueles que podem paga-la;

- A polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la;

- A justiça e liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, serão novamente juntas de volta, bem grudadinhas, costas com costas;

- Na Argentina, as “Loucas da Plaza de Mayo” serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória;

- A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas das escrituras de Moisés, e o sexto mandamento mandará festejar o corpo, a igreja também realizará outro mandamento que Deus havia esquecido: “Amaras a natureza da qual fazes parte”;

- Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;

- Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperaram de esperar muito, muitos e se perderam de tanto procurar;

- Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os tenham vontade de beleza e vontade de justiça, tenham nascido quando tenham e tenham vivido quando e onde vivido, sem se importarem nem um pouquinho com as fronteiras do mapa e ou do tempo;

- Seremos imperfeitos e a perfeição continuará sendo um privilégio chato dos Deuses;

- Neste mundo trapalhão, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última.



Galeano

domingo, 6 de novembro de 2011

Amor e revolução



Sem pensar em dogmas e modelos convencionais de relacionamento, há um grupo cada vez maior de pessoas interessadas em aceitar um modelo de amor mais amplo. Amigos, amantes, namorados... são palavras que não vão definir uma turma que, simplesmente, se ama. Passamos um fim de semana com Bela, Renata, Marcela, Anne, Alfredo, Fran e Luiz para mostrar que cara tem o Amor Revolução – uma causa um modo de vida, que, para eles, não tem mais volta
 

 


Poderia ser mais uma balada na vida de Luiz. Fugaz, etílica... normal. Mas naquela noite, há cinco meses, uma cena nada previsível mesmerizou o rapaz mexicano radicado em São Paulo. Um grupo de pessoas fundia-se em uma massa compacta, fluida, vagarosa. Difícil contar quantos na turma, de tantas pernas e braços entrelaçados. Olhos fechados, corpos deslizando uns sobre os outros – moças, rapazes... pessoas. Era uma farra hedonista, uma baguncinha, um convite à sacanagem? Luiz sentiu que não. “Mexeu demais comigo. Tinha uma pureza de carinho, uma energia muito linda”, ele conta e confessa, “eu queria muito entrar ali, mas não sabia se dava.” Só precisou chegar perto. Bela, uma das damas encaixadas no grupo, puxou Luiz para o miolo. E ele nunca mais saiu.
“Eu sempre me considerei um especialista em abraço”, elabora deitado, enquanto recebe cafuné de duas garotas, “mas no Brasil as pessoas são muito travadas. E eu estava entrando nessa. A melhor coisa foi conhecer essas pessoas. Hoje me assumo como sou. Foda-se o que os outros vão pensar.” Soa estranho, inclusive, escutar uma autoafirmação tão decidida. Afinal Luiz não é gay, não é bi, não está em busca de putaria nem se preocupa com o rótulo (ou a fama) de hétero. E é exatamente isso que ele bate no peito para assumir: ele gosta de carinho.
Ele e, no fundo, todo mundo. Mas é raro achar quem “saia do armário” como essa turma. Estamos em sete, bem acomodados em uma quitinete do edifício Copan, centro de São Paulo. É a casa de Alfredo Toné, ou Alfreedom, como assina por aí, e Isabela Alzira, a Bela, sua... namorada? Não importa, no fundo. Antes de qualquer alforria sexual, é dos conceitos e das amarras linguísticas que eles buscam independência. E foi em torno do “casal” que os demais naquela sala gravitaram para se conhecer. Ou melhor, em torno das performances que os dois promovem em festas e nos cursos de contato e improvisação oferecidos por eles na Casa Jaya – espaço ecocultural na Vila Madalena.
Por caminhos diferentes, Bela, Alfreedom, Marcela, Luiz, Renata, Anne e Fran – a turma fotografada aqui – acabaram dentro daquela turba sensorial, apropriadamente batizada por eles de amoreba – a ameba do amor. “Para muita gente é difícil entender que isso não é um surubão”, Alfredo diz, mas a frase poderia sair da boca de qualquer um ali. “Parece uma orgia. Mas nós temos um elo coletivo, de amor. E isso é o mais importante. Claro que no meio de uma amoreba vão se formando situações mais sexuais, mais tesão aqui ou ali. Mas não tem afobação. É tudo muito natural.”
A amoreba “estendida”, por assim dizer, é muito maior do que os sete citados aqui. É uma rede de amigos, pessoas que se conectaram em festivais, festas, aulas, viagens. “Uns 300!”, chuta Bela, sem o menor critério estatístico. Pessoas, presentes em maior ou menor grau, que compartilharam não apenas uma dança coletiva coladinha, mas experiências de amor, nudez e sexo que as libertaram como nunca. Ciúmes, padrões estéticos e a própria ideia de amor romântico, exclusivo, são inevitavelmente colocados em xeque. E a medida final para que alguém assuma seu papel nesse difuso e bem conectado corpo coletivo é simples: a felicidade que tal entrega, tal desapego, gera. Marcela, estudante de psicologia, descobriu sua turma há poucos meses. Mas já tem articulado um pensamento claro, bem simples, sobre o que o grupo representa em sua vida.
“A primeira vez que fiquei nua para entrar em uma cachoeira, eu hesitava. Reparava no corpo dos outros, pensava no meu corpo. Mas depois eu percebi que isso era tudo meu. Que os outros não estavam me enxergando assim”, e conclui, sucinta: “Quando você está sem roupa, você se pergunta quem é de verdade”. Alfreedom completa: “Em geral as pessoas só ficam nuas para tomar banho ou transar. E tem gente que acha que achar nudez normal é coisa de maluco...”
 “Em geral as pessoas só ficam nuas para tomar banho ou transar. E tem gente que acha que achar nudez normal é coisa de maluco...”
Mas a mera nudez é só um passo nesse imapeado caminho do amor fagocitoso. Desafios, e recompensas, maiores estão em aceitar que dá para amar muitas pessoas, transar sem segredos e mentiras. “A gente vive preso em uma ideia romântica, possessiva de amor. Eu descobri que o amor não pode ser idealizado. Mas pode ser um ideal. É bem diferente”, Marcela define, do alto de seus já sábios 20 anos. Um ideal se oculta também entre as infinitas possibilidades e sutilezas de sensações que existem entre um cafuné e uma trepada. E também, é claro, em soltar-se das restritas definições de hétero, homo, bissexualidade. De novo, Alfreedom: “Eu posso ter tesão por um cara, se eu achar ele apaixonante? Claro. Mas eu sou bissexual se eu gosto muito mais de mulher? E por que preciso responder essa pergunta? O amor é uma entidade muito maior do que tudo isso”.
Ainda assim, fica claro, mesmo para uma breve testemunha, que paira sobre todos uma sensualidade, uma libido, essencialmente feminina. São elas que dão o ritmo, que tocam a todos e todas com mais tranquilidade, que não poupam selinhos e carícias. Que tiram o típico afobamento, o preto no branco, da sexualidade do macho. E afagam o presente repórter enquanto escuta os relatos e os diversos motivos pelos quais elas, e eles, aceitaram o convite da Trip para um fim de semana em um sítio perto de São Paulo.
“Eu nunca fiz fotos, mas eu acho que isso que nós temos é algo importante de comunicar. Não pode ser segredo”, conta Renata. Ela, como todos, reconhece uma triste, alienante dureza na vida “convencional” da cidade. Um reinado falido do ego, que encapsula e isola pessoas e transforma sua obstinada luta pela naturalidade em algo bizarro. “Em São Paulo o primeiro ato de rebeldia é carregar cores. Quando eu carrego um girassol na rua, as pessoas me olham como se eu fosse o Falcão!” E girassóis são comuns na vida da moça. Massagista de profissão, e jardineira terrorista como causa, quer gastar seu tempo enfiando mudas sem pedir autorização pela metrópole. É dela também uma simples definição do tipo de amor que permeia a tal “família”, como todos, vez ou outra, chamam a si mesmos: “Aqui todo mundo é mãe e todo mundo é filhote”.
Filhotes, ou mães, vez ou outra Alfreedom e Bela assumem a palavra como líderes da matilha. São os mais presentes na Casa Jaya, onde acontecem os cursos de contato e improvisação. E buscam, artistas, atores que são, razões e implicações metafísicas, políticas, para o amor revolução – o movimento sem dogmas que está em silenciosa expansão. Um caminho sem volta, acreditam, “um ajuste dos tempos”, na boa conclusão de Bela sobre o que está por dentro da amoreba. Um atraso cultural. Uma solução para um paradigma falido de amor, casamento e monogamia. Um desejo de criação coletiva, de transformação social e espiritual, que se arrasta há gerações e que ganhou uma estética mais clara e exuberante com o movimento hippie. Mas que hoje, em um mundo ainda mais complexo e dinâmico, não cabe mais na datada alcunha. É essa falta de cercas conceituais que deixa tudo mais difícil na hora buscar uma síntese.
Anne, jornalista, muito atenta, menos falante, pede a palavra: “Para mim não precisa ficar separando, analisando tanto as coisas. Se eu quiser fazer amor, eu faço. Se eu quiser trepar, eu trepo. O motivo que me fez fazer as fotos, e estar aqui, falando com você, é simples. Todo mundo fica pelado. Todo mundo faz sexo. Todo mundo gosta. Eu tô cansada de hipocrisia”, desbafa com um sorriso. “É minha luta contra o preconceito.” Alfredo ri como um sátiro. Embalado pelo vinho que flui, vagaroso e sempre, ele vaticina: “Isso não é sobre a gente! É sobre a paz mundial”. Paz mundial? “Claro. Eu te garanto... se você dorme em uma amoreba vai querer abraçar até o padeiro de manhã. ”

fonte: Rrvista Trip

terça-feira, 5 de julho de 2011

Campanha ateísta

Porto Alegre se tornou a primeira capital brasileira a exibir outdoors de uma campanha de mídia sobre ateísmo. A iniciativa é da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos e já havia sido recusada no final do ano passado pelas companhias de ônibus de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.


A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) havia anunciado em 13 de dezembro do ano passado que alguns ônibus de Porto Alegre ostentariam mensagens ateias, porém, segundo Daniel Sottomaior, a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) teria desistido da campanha na última hora.
“Fiquei sabendo pela imprensa que a ATP vetara a veiculação dos anúncios. Quando contatei com a Associação, ela primeiro confirmou o veto e depois passou a dizer qua nada ocorrera e que desconhecia o assunto”, afirmou Sottomaior ao Sul21.
As peças são polêmicas e falam sobre fé, moralidade e ateísmo. Uma delas exibe as fotos de Charles Chaplin, que era ateu, e Adolf Hitler, que não era ateu, com os dizeres “religião não define caráter”. Outra afirma “Somos todos ateus com os deuses dos outros”, e traz imagens de uma divindade hindu, uma divindade egípcia e de Jesus de Nazaré, com as legendas “mito hidu”, “mito egípcio” e “mito palestino”. Uma terceira diz que “A fé não dá respostas, só impede perguntas”. Os cartazes devem ser exibidos ao longo de um mês.

Conforme pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, os ateus são as pessoas mais detestadas no país, merecendo repulsa, ódio ou antipatia de 42% da população. Para o presidente da entidade, Daniel Sottomaior, o propósito da campanha é aproximar o ateísmo do dia-a-dia da sociedade e assim ajudar a diminuir o preconceito que existe contra ateus.

Em junho, a entidade ganhou uma liminar que lhe concedia direito de resposta na TV Bandeirantes para responder a comentários considerados ofensivos do jornalista José Luiz Datena, no extinto programa Brasil Urgente. A liminar foi cassada mas o julgamento do mérito continua pendente. Datena e a Bandeirantes foram processados por diversos ateus no país devido a esse episódio.
Na ocasião, Datena disse que só quem não acredita em Deus é capaz de cometer crimes. Para ele, ateus são “pessoas do mal”, “bandidos”, “estupradores”, “assassinos” e atribuiu a culpa da violência e da corrupção no país aos ateus.
Entre os dias 4 e 17 de julho estarão expostos dois outdoors. Os outdoors da segunda quinzena serão outros.



sábado, 2 de julho de 2011

dúvida cruel

qual microfone é o melhor?

(  ) CREME DENTAL
(  )FRASCO DE SHAMPOO
(  )CONTROLE REMOTO


hem?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

questão de respeito

A Marcha da Liberdade foi uma reposta à reação agressiva e desmedida da polícia contra os manifestantes da Marcha da Maconha. Nela se reuniram pessoas de todos os movimentos reprimidos historicamente para pedir por algo muito simples: a liberdade de dizer o que pensa.


lindo

terça-feira, 28 de junho de 2011

Enquanto o ônibus não vem / Sensação térmica

A gente é sempre tão barroco com essa coisa de sensação… não só a térmica.
Se está frio, a gente colo 324 casacos, por cima de 3462 blusas e mais 23 calças, por cima do pijama de pinguim…
Frio demais…
Calor demais…
Amor, paixão demais…
É tempestade em copo d’agua
É novela Mexicana
É muito açúcar
É pouco café
As pessoas sofrem horrores com o fim de um relacionamento, por exemplo… acham que nunca mais vão amar, que nunca mais isso, que nunca mais aquilo… Acho que a gente supera quando a gente QUER superar. Sofrer é uma opção. No filme Vivre sa Vie, do Godard, Anna Karina fala:

"Acho que somos sempre responsáveis por nossas ações. Somos livres. Eu levanto a minha mão - eu sou responsável. Viro a cabeça para a direita - eu sou responsável. Estou infeliz - Eu sou responsável. Eu fumo um cigarro - eu sou responsável. Eu fechei meus olhos - eu sou responsável. Eu esqueço que sou responsável, mas eu sou. Eu disse que a fuga é um sonho. Afinal, tudo é belo. Você só tem a se interessar pelas coisas, ver a sua beleza. É verdade. Afinal, as coisas são apenas o que são. Um rosto é um rosto. As placas são placas. Homens são homens. E a vida ... é a vida "


Vivre sa Vie,  Anna Karina, SUA DIVA!



Acho digno.
Mas que graça né, eu falando em exagero!!!


Sensação térmica de hoje: me abraça e me beija, me chama de meu amor.






...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Banda Gentileza

amo
adoro
36386 vezes elevadas ao infinito
mais duzentas e dez vezes

Sério, seríssimo pessoas. Ouçam Banda Gentileza.
acesse o site: bandagentileza.com.br. 
Lá dá para baixar, ouvir, ou comprar o CD. Bem digno. Além de acompanhar a agenda da banda, e se no caso você for de Joinville, dá para ficar torcendo toda semana para eles virem pra cá. *--------------------*





 (muito minha cara essa música, não que eu contrarie tudo U_U magiiina)


<3

A Banda mais bonita da cidade

bem linda mesmo, uhum.

Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor!
Cabe em três vidas inteiras
Cabe em uma penteadeira
Cabe nós dois
Cabe até o meu amor
Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que não sei mais nada
Nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender
Que eu não sei voar
Eu não sei mais nada
<3


terça-feira, 17 de maio de 2011

Nem Deus, Nem Patrão, Nem Marido

A história de 4 operárias que lançaram um jornal anarcofeminista. Esta é a base do filme “Nem Deus, Nem Patrão, Nem Marido”, de Laura Mañá, que estreiou na Argentina em 24 de junho de 2010.



Sinopse
Quando a polícia rosarina ameaça de morte Virgínia Bolten como represália a seu discurso anarquista, esta se emigra para Buenos Aires. Uma vez ali, busca refúgio na casa de Rogelio, um homem de espírito generoso e solidário que foi amigo de seu pai. Virgínia logo estabelece com Matilde, uma mulher também anarquista que leva a cabo sua militância em uma fábrica de fiação, propriedade de Genaro Volpone.
Este encontro se produz quando na fiação estoura um conflito pela demissão de uma das operárias. É nessa ocasião, a presença de Virgínia é decisiva para levar adiante o protesto. Ainda que as medidas de força não alcancem seus objetivos, como conseqüência da mesma se constitui um grupo que, junto a Virgínia, tentará tornar realidade um velho projeto desta: a edição de um periódico anarquista em que a voz da mulher ressoe com uma firmeza e contundência inédita para a época.
Depois de se salvar de vários revés, o periódico La Voz de la Mujer ganha as ruas, convertendo-se no primeiro na América Latina que englobou as idéias comunistas-anarquistas e feministas.
A fortaleza da personalidade de Bolten transcendeu os limites da cidade: ela encabeçou a primeira comemoração e marcha pelo 1º de Maio, em 1890.
Ficha artística
Maria Alche, Alejandra Darin, Ulises Dumont, Daniel Fanego, Ana Fernandez, Agatha Fresco, Joaquin Furriel, Esther Goris, Jorge Marrale, Laura Novoa, Eugenia Tobal.
Ficha técnica
Dirigida por Laura Maña; Roteiro: Graciela Maglie e Esther Goris; Diretor de produção: Facundo Ramilo; Fotografia: Oscar Perez; Som: Jorge Stavropulos; Música original: Mauro Lázzaro; Edição: Frank Gutiérrez; Vestuário: Graciela Gaján; Produtor executivo: Alejandra Brandan (Arg), Maria Jose Poblador (Esp); Produção Geral: Fernando Sokolowicz, Maria Jose Poblador, Claudio Corbelli.
Uma produção de San Luis Cine, Cinema Uno e Luna Films em co-produção com FELEI Cooperativa Ltda., Fundación C&M e Aleph Media com apoio de INCAA, ICAA e Generalitat de Catalunha. Distribuição: Primer Plano Film Group S.A.
A respeito de Virginia Bolten
Era filha de um vendedor ambulante alemão. Trabalhou em uma fábrica de sapatos e logo na empresa açucareira Refinaria Argentina de Rosário. Casou-se com um anarquista uruguaio de sobrenome Márquez, ativista no grêmio de sapateiros.
Em 1° de Maio de 1890, encabeçou a primeira manifestação pelo 1° de Maio em comemoração aos Mártires de Chicago, levantando uma bandeira negra em letras vermelhas com os escritos: “1° de Maio, Fraternidade Universal”. Logo depois de pronunciar um discurso revolucionário e difundir propaganda anarquista aos trabalhadores em frente da Refinaria Argentina, é detida sob a acusação de atentar contra a ordem social. Foi a primeira mulher oradora em uma concentração operária.
Durante 1896/1897 editou o primeiro periódico anarcofeminista La Voz de la Mujer, cujo lema era “Nem Deus, nem patrão, nem marido”. Neste periódico se divulgam os ideais do comunismo libertários, as injustiças contra os trabalhadores e em especial contra as mulheres. Também colaborou nas páginas do jornal La Protesta.
Participou como oradora em atos anarquistas em cidades como San Nicolás de los Arroyos, Campana, Tandil y Mendoza. Em novembro de 1900 foi presa junto a Teresa Marchisio e outros quatro anarquistas por organizar uma contramarcha em repúdio à procissão católica da Virgen de la Roca, em Rosário. Também organizou a “Casa del Pueblo” junto a outros anarquistas, realizando eventos políticos-culturais, debates, discussões, leitura de poesia e teatro para os operários. Em 20 de outubro de 1901 foi presa por distribuir propaganda anarquista nas portas da Refinaria Argentina durante um conflito em que morreu pela repressão policial o operário Cosme Budislavich. Em 1902 participou de uma manifestação em Montevidéu no 1° de Maio, e como oradora denunciou a Lei de Residência Argentina e a repressão ao movimento operário. Este ano participou também de um ato do Sindicato Portuário no teatro San Martín. Em 1904 voltou a Buenos Aires e formou parte do Comitê de Greve Feminino organizado pela Federação Operária Argentina, mobilizando aos trabalhadores do Mercado de Frutos de Buenos Aires. Essas febris atividades causaram em Virginia Bolten problemas de saúde; seus companheiros do grupo de teatro Germinal iniciaram uma coleta em seu benefício. Em 1905 foi novamente presa e seu companheiro Márquez foi deportado ao Uruguai, aplicando-se a Lei de Residência.
Em 1907, participou na greve de inquilinos como parte do “Centro Feminino Anarquista”, razão pela qual se aplicou a Lei de Residência e foi expulsa para o Uruguai, sendo Montevidéu seu lugar de radicação definitiva. Sua casa se converteu em uma base de operações dos anarquistas deportados da Argentina. No Uruguai se reuniu com sua família, composta por Márquez e seus filhos pequenos. Em 1909 colaborou com o periódico anarcofeminista dirigido por Juana Rouco Buela, La Nueva Senda (1909-1910). Em Montevidéu organizou protestos pela brutal repressão ao 1° de Maio de 1909 em Buenos Aires, onde as forças policiais de Ramón Falcón assassinaram cerca de uma dezena de operários. Também participou da campanha a favor do pedagogo Francisco Ferrer y Guardia, fusilado en Montjuich em 1911. Neste ano trabalhou na Associação Feminina – Emancipación, organizando as mulheres anticlericais, a operadoras telefônicas (em sua maioria mulheres) e ativa contra as sufragistas femininas.
Formou parte do grupo que apoiou o anarco-battlismo junto a Francisco Berri, Adrian Zamboni y Orsini Bertan (anarquistas que apoiavam ao regime do presidente reformista Battle y Ordóñez, que laicizou o estado e a repartição pública, além de nacionalizar empresas de capitais estrangeiros). Durante este processo, o anarquismo perdeu apoio popular e ganhou preponderância o Partido Socialista do Uruguai. Durante 1913 o periódico do partido, chamado El Socialista, atacou fortemente a Bolten e seu grupo, acusando-las de trair ao movimento operário.
Nos últimos anos de sua vida integrou o Centro Internacional de Estudos Sociais, uma associação libertária de Montevidéu durante 1923. Segundo se crê, continuou vivendo no bairro de Manga, em Montevidéu até sua morte, ao redor de 1960.
Virginia Bolten foi apelidada a “Louise Michel rosarina”.

 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Liberdade

"O amor é um subproduto da liberdade; é a alegria transbordante da liberdade, é a fragrância da liberdade. 
Primeiro a liberdade tem que estar presente, então o amor a segue."
Osho

“Raul dormia na varanda. Não suportava ter um teto em cima da cabeça”.
Galeano

"Então o amor é isso...
Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço."
Mário Quintana

"Déjame libre las manos
y el corazón, déjame libre!"
Neruda 


imagens  Alice Popcorn

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Não me canso NUNCA de Galeano

"Dos medos nascem as coragens; e das dúvidas as certezas. Os sonhos anunciam outra realidade possivel, e os delirios, outra razão.
Somos, enfim, o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia.
Nesta fé, fugitiva, eu creio. Para mim, é a única fé digna de confiança, porque é parecida com o bicho humano, fodido mais sagrado, e à louca aventura de viver no mundo. "



De Pernas Pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso:


“A igualação, que nos uniformiza e nos apalerma, não pode ser medida. Não há computador capaz de registrar os crimes cotidianos que a indústria da cultura de massas comete contra o arco-íris humano e o humano direito à identidade. O tempo vai-se esvaziando de história e o espaço já não reconhece a assombrosa diversidade de suas partes. Através dos meios massivos de comunicação, os donos do mundo nos comunicam a obrigação que temos todos de nos contemplar num único espelho, que reflete os valores da cultura de consumo. “A televisão (...) não só ensina a confundir qualidade de vida com quantidade de coisas...”


“dez pessoas, os dez mais ricos do planeta, têm uma riqueza equivalente ao valor da produção total de cinqüenta países, e quatrocentos e quarenta e sete milionários somam uma fortuna maior do que ganha anualmente a metade da humanidade”

Tá todo mundo liberado para me dar de presente:

quarta-feira, 4 de maio de 2011

criança

"Em minha casa reuni brinquedos
pequenos e grandes,
sem os quais não poderia viver.
O menino que não brinca não é menino,
mas o homem que não brinca,
perdeu para sempre
o menino que vivia nele
e que lhe fará muita falta."
Pablo Neruda   
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Vermelho

As vezes eu só quero descansar
Desacreditar no espelho
Ver o sol se pôr vermelho

Acho graça

Que isso sempre foi assim
Mas você me chama pro mundo
E me faz sair do fundo de onde eu tô de novo

Nada sei dessa tarde
Se você não vem
Sigo o sol na cidade
Pra te procurar

Eu bem sei onde tudo vai parar
Já não tenho medo do mundo
Sou filho da eternidade

Trago nesses pés o vento
                     Pra te carregar daqui
                                                                      
                                                                            Mas você sorri desse jeito
 E eu que já perdi a hora e o lugar
Aceito.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Chicolovers

Só digo uma coisa: eu amo Chico Buarque e ponto final.

"O nosso amor é tão bom; O horário e que nunca combina"

"Faça como eu faço; Aja duas vezes antes de pensar"

"Solta as unhas do meu coração que ele está apressado"

"Gosto de você chegar assim; Arrancando páginas dentro de mim; Desde o primeiro dia"

"Há que por o chão nos pés"

"Há nada como um tempo; Após um contratempo; Pro meu coração"

"A saudade é o revés de um parto; A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu"

"Vem perder-te em meus braços pelo amor de Deus"

"Você que inventou a tristeza; Ora, tenha a fineza de desinventar"

"A gente quer ter voz ativa; No nosso destino mandar; Mas eis que chega a roda-viva e carrega o destino pra lá"

"Nunca abriria a porta para alguém que de fato quisesse entrar"

"Conversaram pouco, o silêncio disse mais"


"Ajeitava o meu caminho pra encostar no teu"

"Ouça um bom conselho; Que eu lhe dou de graça; Inútil dormir que a dor não passa"

"Ouça um bom conselho; Que eu lhe dou de graça; Inútil dormir que a dor não passa"

"Me leve um pouco com você; Eu gosto de qualquer lugar; A gente pode se entender; E não saber o que falar"

"Isso não são horas, que horas são?"

"Eu quero cantar o amor antes que o amor acabe"

"Um homem pode ir ao fundo do fundo do fundo se for por você"

"Me sopre novamente as canções com que você me engana"

"Menino quando morre vira anjo; Mulher vira uma flor no céu; Malandro quando morre vira samba"                

"Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar; Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora"

"Não me leve a mal; Me leve apenas para andar por aí"

"E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar; Tou me guardando pra quando o carnaval chegar"

"A gente vai contra a corrente; Até não poder resistir"

"Depois que ela se foi, meus dias seriam de imenso papel para pouca tinta"

"E pela minha lei; A gente era obrigado a ser feliz"

"Alô, liberdade; Desculpa eu vir assim sem avisar; Mas já era tarde"

"A dor é tão velha que pode morrer"

"Eu semeio vento na minha cidade; Vou pra rua e bebo a tempestade"

"Se entornaste a nossa sorte pelo chão; Se na bagunça do teu coração; Meu sangue errou de veia e se perdeu"

"A prudência dos sábios; Nem ousou conter nos lábios; O sorriso e a paixão"

"A arte de deixar algum lugar; Quando não se tem para onde ir"

"Pense que eu cheguei de leve; Machuquei você de leve; E me retirei com pés de lã"

"Quero inventar o meu próprio pecado; Quero morrer do meu próprio veneno"

"O leito do rio fartou-se; E inundou de água doce a amargura do mar"

"Eu por mim sonhava com você em todas as cores"
 
"Eu quero fazer silêncio; Um silêncio tão doente do vizinho reclamar"

"Não tem mais jeito; A gente não tem cura"

"Um lugar deve existir; Uma espécie de bazar; Onde os sonhos extraviados vão parar"

"É pra todo mundo saber; Que a noite é criança; Que o samba é menino"

"Foi tão bonito você me emprestar a vida assim; Ver que eu não tinha saída e seguir por onde eu vim"

"O amor jamais foi meu; O amor me conheceu; Se esfregou na minha vida e me deixou assim"

"Éramos nós; Estreitos nós; Enquanto tu és laço frouxo"

"Quero ficar no teu corpo feito tatuagem"