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quinta-feira, 6 de março de 2014

Skhizein – O homem que vive a 91 centímetros dele mesmo

O curta-metragem de animação Skhizein (França, 2008) faz o espectador acompanhar o sofrimento do pobre Henri, acometido por um mal súbito e incontrolável. 
O filme mostra de maneira simbólica o sentimento de deslocamento em relação ao mundo,  vivido pelo personagem, que está a 91 centímetros dele mesmo. 

Vale o play.



sábado, 7 de janeiro de 2012

Dançando no Escuro

Sem dúvida é o filme mais desconcertante que eu vi. TEM QUE TER MUITO CORAÇÃO PRA VER, viu.

A cantora Björk está impressionante como Selma, uma imigrante que trabalha numa fábrica no interior dos Estados Unidos. Vítima de uma doença hereditária, ela está perdendo a visão e, para evitar que o filho tenha o mesmo destino, economiza todo o seu dinheiro para operá-lo. Apaixonada pelos musicais de Hollywood, Selma mistura realidade e fantasia. Porém, a sua vida muda radicalmente quando é acusada injustamente de um crime. Além da excelente trilha sonora de Björk, Dançando no Escuro tem as participações da grande Catherine Deneuve e do lendário Joel Grey.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

o briho eterno

Feliz é a inocente vestal
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança


Alexander Pope

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Reflexões de um Liquidificador

"Antes eu devia ser feliz, porque eu nem lembro como era, os motores não tem memória, nem precisam. Ser motor, ou melhor, não ser gente, já é uma forma de ser feliz. Os liquidificadores nascem nas fábricas e morrem no ferro velho, é uma história simples, uma trajetória em linha reta. Servimos enquanto estamos bons, somos trocados quando a máquina estraga. Já os homens não, pelo que eu pude observar deles até hoje, não sabem de onde vêem, pra onde vão, por que nascem, por que morrem, pra que vivem. Essa vida cheia de dúvidas, eles chamam de vida consciente. "
 
‎"Mas apesar de tudo isso, seu eu pudesse escolher, se eu pudesse voltar a ser um simples utensílio da cozinha, insensível e mudo, eu não sei se eu voltaria... NÃO, não voltaria, pensar é um vício, sentir é uma cachaça, e toda essa espera angustiante, toda essa intriga de paixão e medo, tudo isso me fascina, a sorte que me espera é um mistério, uma ameaça, mas até lá, enquanto a noite avança, deixa eu botar meus parafusos pra cantar...."

sábado, 9 de julho de 2011

Ma vie en rose


Laranja, amarelo, vermelho e rosa, muito rosa, de vários matizes. Mais escuros, mais claros, mas inconfundíveis na sua graça, leveza e sinal de feminilidade e doçura. Essas são as cores que se destacam em Minha Vida em Cor-de-Rosa (Ma vie en Rose, 1997) O filme dirigido por Alain Berliner conta brevemente a história de Ludovic, um menino de sete anos que tem certeza de ter nascido no corpo errado. Ele sabe que gosta de brinquedos diferentes, roupas diferentes, e brincadeiras diferentes. Ludo age, pensa, sente e sofre como um menina. O conflito entre o que Ludo deseja e o que seus pais acham melhor para ele resplandece durante todo o filme. Logo no começo percebe-se a tônica do filme: o carinho a compreensão entre pais e filhos numa sociedade que não aceita o que não é padronizado, controlado e modelado. Ludo brinca e se diverte com a mãe e avó numa troca de carícias e afeto que chega a ser melosa, mas que nos traz lembranças de uma infância em que carinho não era tabu nem desculpa. A fotografia do filme prima por cores quentes, como quente é a relação de amor e ódio que a mãe tece com o filho “bom em disfarces”, como cita o pai na festa de recepção do bairro à nova família padrão.
A mãe de Ludovic é a mãe padrão: preocupa-se com tudo em com todos, generaliza sua atenção e acaba não percebendo pequenos detalhes da vida cotidiana. Sua compreensão das vivências (trans? homo? bi?) sexuais do filho tem com limiar a visão que os vizinhos tem da família e do pequeno Ludo. Inicialmente todos encaram como uma brincadeira, que há de passar; mas o tempo passa, e a única mudança que ocorre é que Ludo encontra uma explicação científica para o que sente com sua irmã mais velha. Não há conversas de pai-filho, mãe-filho, não se discute o que Ludo sente. Há apenas uma pressão social para que ele se encaixe num corpo-modelo-arquétipo que não compreende, e que fica mais forte ainda quando a sua mãe lhe encontra “casando” com seu “noivo” no quarto da filha morta da família vizinha (vale ressaltar que Ludo e o menino da casa ao lado desenvolveram uma relação de amizade-amor muito forte, mas de uma pureza tocante), e com um vestido dela. “Você é homem, jamais será uma menina!” gritam todos na casa revoltada pela travessura inocente de quem não compreende sua identidade.
“Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos...”

A frase do Ateneu, de Raul Pompéia, resume a cena que mais toca no filme: Ludovic tem seus cabelos cortados, dissipando-se assim qualquer intenção dele de ser menina, ou melhor, de ser ele mesmo. Junto com suas mechas vão seus sonhos, suas vivências, mas um novo tempo começa.
Ludo era homo(bi)(trans)sexual? não se pode definir, até porque esse não parece ser o mote principal do filme. As crianças tem relações muito diversas em relação aos companheiros de brincadeiras, e em certas fases da infância, a prioridade é o próprio sexo. Isso não pode ser encarado como homossexualidade, mas como um processo necessário à compreensão do seu papel como ser humano. O que marca no filme é a necessidade de priorizar o diálogo com a infância, não apenas ouví-las, mas elevar a nossos sentimentos na ponta dos pés, para não machucá-las.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Documentário: Coletivo Chá

Em primeiro lugar, quero dizer que acho lindíssimo o trabalho das meninas, e que cada vez que eu passo por um lambe na rua, eu sei exatamente qual delas que fez! Eles tem características singulares, mas conseguem formar um único grupo, e isso é muito bonito. Mostra que a energia é a mesma, e que a sintonia é fina!

Sugiro que assistam o documentário produzido pelo Bruno Isidoro Pereira e pelo Clayton Felipe Silveira, sobre o Coletivo Chá. 
O documentário foi desenvolvido como um trabalho acadêmico e ficou muito bonito e super digno!

o blogspot não ama o vimeo, então não consegui colocar o vídeo aqui U_U
blogspot feio
mãs, é só acessar o link AQUI 

:)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Enquanto o ônibus não vem / Sensação térmica

A gente é sempre tão barroco com essa coisa de sensação… não só a térmica.
Se está frio, a gente colo 324 casacos, por cima de 3462 blusas e mais 23 calças, por cima do pijama de pinguim…
Frio demais…
Calor demais…
Amor, paixão demais…
É tempestade em copo d’agua
É novela Mexicana
É muito açúcar
É pouco café
As pessoas sofrem horrores com o fim de um relacionamento, por exemplo… acham que nunca mais vão amar, que nunca mais isso, que nunca mais aquilo… Acho que a gente supera quando a gente QUER superar. Sofrer é uma opção. No filme Vivre sa Vie, do Godard, Anna Karina fala:

"Acho que somos sempre responsáveis por nossas ações. Somos livres. Eu levanto a minha mão - eu sou responsável. Viro a cabeça para a direita - eu sou responsável. Estou infeliz - Eu sou responsável. Eu fumo um cigarro - eu sou responsável. Eu fechei meus olhos - eu sou responsável. Eu esqueço que sou responsável, mas eu sou. Eu disse que a fuga é um sonho. Afinal, tudo é belo. Você só tem a se interessar pelas coisas, ver a sua beleza. É verdade. Afinal, as coisas são apenas o que são. Um rosto é um rosto. As placas são placas. Homens são homens. E a vida ... é a vida "


Vivre sa Vie,  Anna Karina, SUA DIVA!



Acho digno.
Mas que graça né, eu falando em exagero!!!


Sensação térmica de hoje: me abraça e me beija, me chama de meu amor.






...

domingo, 22 de maio de 2011

Documentário: QUE PORRA É ESSA?!

Através de depoimentos de estudantes de todo o Brasil, presentes no 47º congresso da UNE, o vídeo mostra a lastimável situação do movimento estudantil brasileiro.

Assista aqui: 

Este documentário retrata muito bem como funciona o sistema de eleições congressuais que garante que a UJS permaneça majoritária na UNE. É bastante interessante, e vale a pena a paciência dos 9 minutos de cada parte.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Nem Deus, Nem Patrão, Nem Marido

A história de 4 operárias que lançaram um jornal anarcofeminista. Esta é a base do filme “Nem Deus, Nem Patrão, Nem Marido”, de Laura Mañá, que estreiou na Argentina em 24 de junho de 2010.



Sinopse
Quando a polícia rosarina ameaça de morte Virgínia Bolten como represália a seu discurso anarquista, esta se emigra para Buenos Aires. Uma vez ali, busca refúgio na casa de Rogelio, um homem de espírito generoso e solidário que foi amigo de seu pai. Virgínia logo estabelece com Matilde, uma mulher também anarquista que leva a cabo sua militância em uma fábrica de fiação, propriedade de Genaro Volpone.
Este encontro se produz quando na fiação estoura um conflito pela demissão de uma das operárias. É nessa ocasião, a presença de Virgínia é decisiva para levar adiante o protesto. Ainda que as medidas de força não alcancem seus objetivos, como conseqüência da mesma se constitui um grupo que, junto a Virgínia, tentará tornar realidade um velho projeto desta: a edição de um periódico anarquista em que a voz da mulher ressoe com uma firmeza e contundência inédita para a época.
Depois de se salvar de vários revés, o periódico La Voz de la Mujer ganha as ruas, convertendo-se no primeiro na América Latina que englobou as idéias comunistas-anarquistas e feministas.
A fortaleza da personalidade de Bolten transcendeu os limites da cidade: ela encabeçou a primeira comemoração e marcha pelo 1º de Maio, em 1890.
Ficha artística
Maria Alche, Alejandra Darin, Ulises Dumont, Daniel Fanego, Ana Fernandez, Agatha Fresco, Joaquin Furriel, Esther Goris, Jorge Marrale, Laura Novoa, Eugenia Tobal.
Ficha técnica
Dirigida por Laura Maña; Roteiro: Graciela Maglie e Esther Goris; Diretor de produção: Facundo Ramilo; Fotografia: Oscar Perez; Som: Jorge Stavropulos; Música original: Mauro Lázzaro; Edição: Frank Gutiérrez; Vestuário: Graciela Gaján; Produtor executivo: Alejandra Brandan (Arg), Maria Jose Poblador (Esp); Produção Geral: Fernando Sokolowicz, Maria Jose Poblador, Claudio Corbelli.
Uma produção de San Luis Cine, Cinema Uno e Luna Films em co-produção com FELEI Cooperativa Ltda., Fundación C&M e Aleph Media com apoio de INCAA, ICAA e Generalitat de Catalunha. Distribuição: Primer Plano Film Group S.A.
A respeito de Virginia Bolten
Era filha de um vendedor ambulante alemão. Trabalhou em uma fábrica de sapatos e logo na empresa açucareira Refinaria Argentina de Rosário. Casou-se com um anarquista uruguaio de sobrenome Márquez, ativista no grêmio de sapateiros.
Em 1° de Maio de 1890, encabeçou a primeira manifestação pelo 1° de Maio em comemoração aos Mártires de Chicago, levantando uma bandeira negra em letras vermelhas com os escritos: “1° de Maio, Fraternidade Universal”. Logo depois de pronunciar um discurso revolucionário e difundir propaganda anarquista aos trabalhadores em frente da Refinaria Argentina, é detida sob a acusação de atentar contra a ordem social. Foi a primeira mulher oradora em uma concentração operária.
Durante 1896/1897 editou o primeiro periódico anarcofeminista La Voz de la Mujer, cujo lema era “Nem Deus, nem patrão, nem marido”. Neste periódico se divulgam os ideais do comunismo libertários, as injustiças contra os trabalhadores e em especial contra as mulheres. Também colaborou nas páginas do jornal La Protesta.
Participou como oradora em atos anarquistas em cidades como San Nicolás de los Arroyos, Campana, Tandil y Mendoza. Em novembro de 1900 foi presa junto a Teresa Marchisio e outros quatro anarquistas por organizar uma contramarcha em repúdio à procissão católica da Virgen de la Roca, em Rosário. Também organizou a “Casa del Pueblo” junto a outros anarquistas, realizando eventos políticos-culturais, debates, discussões, leitura de poesia e teatro para os operários. Em 20 de outubro de 1901 foi presa por distribuir propaganda anarquista nas portas da Refinaria Argentina durante um conflito em que morreu pela repressão policial o operário Cosme Budislavich. Em 1902 participou de uma manifestação em Montevidéu no 1° de Maio, e como oradora denunciou a Lei de Residência Argentina e a repressão ao movimento operário. Este ano participou também de um ato do Sindicato Portuário no teatro San Martín. Em 1904 voltou a Buenos Aires e formou parte do Comitê de Greve Feminino organizado pela Federação Operária Argentina, mobilizando aos trabalhadores do Mercado de Frutos de Buenos Aires. Essas febris atividades causaram em Virginia Bolten problemas de saúde; seus companheiros do grupo de teatro Germinal iniciaram uma coleta em seu benefício. Em 1905 foi novamente presa e seu companheiro Márquez foi deportado ao Uruguai, aplicando-se a Lei de Residência.
Em 1907, participou na greve de inquilinos como parte do “Centro Feminino Anarquista”, razão pela qual se aplicou a Lei de Residência e foi expulsa para o Uruguai, sendo Montevidéu seu lugar de radicação definitiva. Sua casa se converteu em uma base de operações dos anarquistas deportados da Argentina. No Uruguai se reuniu com sua família, composta por Márquez e seus filhos pequenos. Em 1909 colaborou com o periódico anarcofeminista dirigido por Juana Rouco Buela, La Nueva Senda (1909-1910). Em Montevidéu organizou protestos pela brutal repressão ao 1° de Maio de 1909 em Buenos Aires, onde as forças policiais de Ramón Falcón assassinaram cerca de uma dezena de operários. Também participou da campanha a favor do pedagogo Francisco Ferrer y Guardia, fusilado en Montjuich em 1911. Neste ano trabalhou na Associação Feminina – Emancipación, organizando as mulheres anticlericais, a operadoras telefônicas (em sua maioria mulheres) e ativa contra as sufragistas femininas.
Formou parte do grupo que apoiou o anarco-battlismo junto a Francisco Berri, Adrian Zamboni y Orsini Bertan (anarquistas que apoiavam ao regime do presidente reformista Battle y Ordóñez, que laicizou o estado e a repartição pública, além de nacionalizar empresas de capitais estrangeiros). Durante este processo, o anarquismo perdeu apoio popular e ganhou preponderância o Partido Socialista do Uruguai. Durante 1913 o periódico do partido, chamado El Socialista, atacou fortemente a Bolten e seu grupo, acusando-las de trair ao movimento operário.
Nos últimos anos de sua vida integrou o Centro Internacional de Estudos Sociais, uma associação libertária de Montevidéu durante 1923. Segundo se crê, continuou vivendo no bairro de Manga, em Montevidéu até sua morte, ao redor de 1960.
Virginia Bolten foi apelidada a “Louise Michel rosarina”.

 

sábado, 7 de maio de 2011

Somewhere over the rainbow

Algum lugar além do arco-íris
Bem lá no alto
E os sonhos que você sonhou
Uma vez numa canção de ninar
Algum lugar além do arco-íris
Pássaros azuis voam
E os sonhos que você sonhou
Sonhos realmente se tornam realidade
Algum dia eu desejarei sobre uma estrela
Acordar onde as nuvens estejam longe atrás de mim
Onde problemas se derretam como balas de limão
(...)
As cores do arco-íris tão belas no céu
Também estão nos rostos das pessoas passando por ali
Eu vejo amigos se cumprimentando
Dizendo, "como você vai?"
Eles estão realmente dizendo, eu.... eu amo você
Eu ouço bebês chorarem e vejo-os crescerem
Eles aprenderão muito mais
Do que nós sabemos
And I think to myself
What a wonderful world

Judy Garland - The Wizard Of Oz, 1939

Norah Jones

Israel Kamakawiwo
Luiza Possi

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Inside all of us, is a wild thing

Essa semana eu estava assistindo novamente o filme Where the wild things are (Onde Vivem os Monstros), e eu chorei, me emocionei, terminei de ver e fui correndo ouvir a trilha sonora (como sempre). A trilha sonora é tão linda quanto o filme, e sabe quem é responsável por ela??? Karen O, vocalista do Yeah Yeah Yeahs, ex-broto do diretor do filme, Spike Jonze, hummmmmmmmm!
A música mais linda é All is love, confiram:


                                                Ouçam as outras no lindo do Grooveshark: aqui

Onde Vivem os Monstros é uma adaptação do livro homônimo escrito e ilustrado por Maurice Sendak, publicado originalmente em 1963. O livro, que foi transformado em filme por Spike Jonze em 2010, retrata as aventuras de Max, um garoto travesso que é mandado de castigo para seu quarto depois de desobedecer a mãe. Porém, a imaginação de Max está livre para voar, e logo o transporta para um reino desconhecido. Encantado, Max parte para a terra dos Monstros Selvagens, onde as travessuras são lei, e Max é o rei.
A história parece bem bobinha para quem é insensível, mas para quem acha que ainda
é uma criança, aprisionada num corpo de adulto, e que queria NUNCA ter crescido, assim como eu, a história é infinitamente linda, triste e encantadora.





segunda-feira, 11 de abril de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Nouvelle Vague

Em francês, a expressão “viver a vida” funciona como gíria para descrever prostituição. O filme de Jean-Luc Godard que carrega a expressão no título, portanto, é uma tradução literal da narrativa, a história de uma garota bela e inteligente, mas pobre, que acaba virando prostituta em Paris para conseguir sobreviver. Um filme de Godard, porém, nunca é feito apenas de matéria-prima literal. E o título de VIVER A VIDA (Vivre sa Vie) deixa isso, mais uma vez, evidente. Porque há uma conotação extra nas entrelinhas, uma conotação filosófica, quase metafísica, uma reflexão – bem ao gosto de Godard – sobre o ato de viver, com todas as complexas implicações que ele guarda.
A seguir, trecho do filme e logo abaixo, a música Dance With me da banda Nouvelle Vague, pegando uma carona no longa.




terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Adeus Lênin!

Perdida numa dessas madrugadas, assistindo um filme que foi recomendado, em uma dessas madrugadas! Muito engraçado, triste e emocionante!
O filme retrata o lado oriental da Alemanha e a Queda do Muro de Berlim. O personagem principal, Alexander, desenvolve sua adolescência nesse período. Nesse turbilhão de acontecimentos sua mãe sofre coma, e não vê as mudanças (Queda do Muro e a invasão capaitalista no lado oriental). Quando ela acorda, ele tenta fingir que o comunismo existe e o país ainda está separado, para ela não sofrer um choque e ficar em coma novamente. Vale à pena conferir!

Uma das cenas mais engraçadas é quando estão comemorando o aniversário da mãe de Alex, recém acordada do coma. Os convidados fingindo que o sistema não mudou, que tudo estava como antes, enquanto um pequeno outdoor da nada capitalista Coca Cola é colocado no prédio em frente!

Depois, para explicar esse lado Coca Cola da vida, Alex e seu amigo gravam um vídeo para fazer com que sua mãe acredite que a essa bebida não é 'do mau'!



Mas acho que a cena mais, mais, mais forte é aquela de quando a estátua de Lênin está sendo içada por um helicóptero bem na frente da mãe de Alex. Nossa, é uma cena memorável!


 Enfim, assistam. Antes que eu conte todo o filme, coisa que é bem do meu tipo mesmo!
Disponível para dowload aqui.

- Adeus, Lênin! (Goodbye, Lenin!, Alemanha, 2003)
Direção: Wolfgang Becker
Elenco: Daniel Brühl, Kathrin Sass, Maria Simon, Chulpan Khamatova
Duração: 121 minutos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tina Modotti

Assistindo o (diga-se de passagem) belíssimo filme Frida Kahlo de Julie Taymor, redescobri Tina Modotti, fotógrafa italiana, modelo, atriz e ativista política revolucionária. 
Ela foi amiga do casal, Frida e Diego Rivera, há quem diga que os dois foram apresentados por ela, mas enfim... que importa? 
Sua obra como fotógrafa pode der dividida em duas fases: "Romântica" e "Revolucionária". A fase romântica... bem, foi a fase romântica! O que importa é que na sua segunda fase, Tina colocou  sua arte à serviço da política revolucionária, retratou a injustiça social, fotografando trabalhadores, comícios políticos e pessoas pobres.
Como resultado da campanha anti-comunista no México, Modotti foi expulsa do país em fevereiro de 1930. O governo italiano fez esforços para extraditá-la como uma subversiva, mas com a assistência de ativistas da Ajuda Vermelha Internacional, ela conseguiu evadir a polícia fascista. Ela aparentemente intencionava entrar clandestinamente na Itália e juntar-se a resistência anti-fascista. Contudo, como resposta a situação política da Alemanha que se deteriorava e seus próprios recursos esgotando-se, ela seguiu o conselho de Vittorio Vidali (seu grande amigo) e mudou-se para Moscou em 1931. 
Após 1931, Modotti já não fotografava. Durante os próximos anos ela dedicou-se a várias missões em favor da Ajuda Internacional aos Trabalhadores e ao Comintern (Terceira Internacional ou Nacional Comunista) na Europa. Quando a guerra Civil Espanhola eclodiu em 1936, Vidali (então conhecido como "Comandante Carlos") e Modotti deixaram Moscou com destino a Espanha, onde Tina morou até 1939.  Em abril de 1939, seguindo o colapso do movimento republicano na Espanha, Modotti deixou o país com Vidali e retornou ao México usando um nome falso.
Em 1942, Modotti sofreu um ataque cardíaco fulminante, que foi visto por alguns como circunstâncias suspeitas. 
Após ouvir sobre sua morte, Diego Rivera sugeriu que Vidali seria o culpado. Modotti "saberia demais" sobre as atividades de Vidali na Espanha, as quais incluía rumores de mais de 400 execuções. 
Seu túmulo está no vasto panteão de Dolores na Cidade do México. O poeta Pablo Neruda(coincidendemente postei 2  poesias dele essa semana) compôs o epitáfio de Tina Modotti, parte do qual ainda pode ser lida de sua lápide, a qual também inclui um retrato de Modotti em relevo esculpido por Leopoldo Méndez.

Pura sua gentil alma, pura sua frágil vida,
abelhas, sombras, fogo, neve, silêncio e espuma,
combinados com aço e fio e pólen a fazer seu firme
e delicado ser. (Pablo Neruda)
eu amo essa, demais *------*