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domingo, 15 de julho de 2012

tem vento dançando



e cada átomo meu
quer beber de canudinho
cada átomo seu

eu te quero tanto
que cada pedaço meu
grita seu nome em um volume diferente

que fique sempre assim
sereno

o coração batento na sola do pé
que tudo sente

e o vento
dançando, dançando, dançando, dançando...



sábado, 14 de julho de 2012

ata-me

quero que você caia da janela do terceiro andar
que você tome um copo de veneno no almoço
que você seja sequestrado 
que você vá pra Tonga da mironga do kabuletê
que você nunca mais volte pra minha cama
só que ao contrário

quero que você seja de todo mundo
que você diga que me odeia
que me deixe esperando por duas horas na mesa reservada pra nós dois
que você me ligue falando que não vai mais voltar
que você esqueça do meu aniversário
só que ao contrário


quero que você tire suas canções do meu violão
que você fique sempre vestido na minha presença
que você não me provoque
que não puxe meu cabelo
que não me procure
só que ao contrário

nem durmo com sua camiseta quando você nã está aqui
nem continuo tomando café com duas xícaras pra fingir que a outra é sua
nem fico olhando para a rua pra ver se você está chegando
nem deixo um lado da cama separado pra você
nem me perfumo quando você está pra chegar
nem escrevo e apago cem vezes as mensagens que eu vou te mandar
na verdade eu nem te quero
nem sinto sua falta
na verdade eu te odeio
só que ao contrário 




terça-feira, 8 de maio de 2012

Dirigir

Sempre me perguntam se eu já sei dirigir.

Mas eu
não sei frear nem a mim.
 que dirá um carro.

não entendo dessa coisa de direção, de volante
não tem disso aqui no meu país.

só entendo de passageiro
de carona na beira da estrada
de bagagem. 

não entendo de
câmbio automático
direção hidráulica
travas elétricas
rebimboca da parafuseta
 assento revestido em bla bla bla

o único acento que eu conheço 
se escreve com C
e vem em cima na palavra CÉU


não entendo de regra de trânsito
mas eu entendo de carnaval
se eu sei dirigir?
ora amigo, eu só sei sambar 
e miudinho.


obrigada.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Enquanto o ônibus não vem / Sensação térmica

A gente é sempre tão barroco com essa coisa de sensação… não só a térmica.
Se está frio, a gente colo 324 casacos, por cima de 3462 blusas e mais 23 calças, por cima do pijama de pinguim…
Frio demais…
Calor demais…
Amor, paixão demais…
É tempestade em copo d’agua
É novela Mexicana
É muito açúcar
É pouco café
As pessoas sofrem horrores com o fim de um relacionamento, por exemplo… acham que nunca mais vão amar, que nunca mais isso, que nunca mais aquilo… Acho que a gente supera quando a gente QUER superar. Sofrer é uma opção. No filme Vivre sa Vie, do Godard, Anna Karina fala:

"Acho que somos sempre responsáveis por nossas ações. Somos livres. Eu levanto a minha mão - eu sou responsável. Viro a cabeça para a direita - eu sou responsável. Estou infeliz - Eu sou responsável. Eu fumo um cigarro - eu sou responsável. Eu fechei meus olhos - eu sou responsável. Eu esqueço que sou responsável, mas eu sou. Eu disse que a fuga é um sonho. Afinal, tudo é belo. Você só tem a se interessar pelas coisas, ver a sua beleza. É verdade. Afinal, as coisas são apenas o que são. Um rosto é um rosto. As placas são placas. Homens são homens. E a vida ... é a vida "


Vivre sa Vie,  Anna Karina, SUA DIVA!



Acho digno.
Mas que graça né, eu falando em exagero!!!


Sensação térmica de hoje: me abraça e me beija, me chama de meu amor.






...

terça-feira, 7 de junho de 2011

enquanto o ônibus não vem

Quando eu era pequena, achava que tinha uma moça que trabalhava dentro da máquina de café. Achava que um campo de futebol era do tamanho do meu quintal, que a pobreza no mundo acabaria de a Casa da Moeda imprimisse um monte de dinheiros e distribuísse loucamente para as pessoas. 

Eu achava que as crianças que moravam na praia, não precisavam ir para escola, que eu nunca compraria aquele 'chiclets' que vendiam na farmácia, dentro de um pacote quadradinho (camisinha). 
Achava que Tic Tac era uma pílula que me dava poderes mágicos, e antes de dormir eu não pensava em qual roupa eu vestiria no outro dia, mas qual boneca eu salvaria primeiro, se minha casa pegasse fogo.
Eu comprava figurinha para completar o álbum, e salgadinho para pegar o Tazo. Comprava chiclets que vinha com tatuagem, doce que vinha com uma bexiga em cima, Kinder Ovo por um real, e geladinho azul por dez centavos.
Eu caí de bicicleta quando meus pais tiraram as rodinhas, e a primeira vez que eles me deixaram dar uma volta na quadra sozinha, senti como se eu estivesse dando a volta ao mundo e descobrindo a América.
Eu brincava de caça ao tesouro, e enterrava meus brinquedos, (não, eu não achava mais depois). 
Eu passava o dia todo montando a casinha da Barbie, mas quando eu terminava de montar, não queria mais brincar, achava idiota aquelas situações que minhas amigas criavam, tipo: "oi amiga, vamos no Shopping???", "nhe nhe nhe", "mi mi mi", me irritava. Mas confesso que minha boneca já namorou o Ken, mas ele a traiu com a empregada (que era uma daqueles Barbies falsificadas com cabelo amarelo, quase carecas). 
Sempre entendi de amor e tragédias semelhantes.
Eu me apaixonei pela primeira vez quando tinha 6 anos... ele era meu vizinho, era filho da professora, era mais velho, e andava de skate. Eu tinha vontade de sumir cada vez que ele estava chegando perto. Pensava  em 300 coisas legais para falar pra ele, ensaiava na frente do espelho, mas quando a gente de via, eu só falava besteira e esquecia tudo. A gente ia para escola juntos, e eu odiava as garotas da sala dele, queria que elas morressem de febre amarela no Pantanal. 
Um dia ele me deu um pingente de coração, e eu quase morri de infarto do miocárdio. 
A gente se fala até hoje.

Foi a primeira vez que eu gostei de um menino, que eu senti borboletas no estômago, que eu gaguejava quando ele chegava, que eu ficava vermelha quando ele me olhava, que eu ficava suspirando e sonhando acordada, RIDÍCULA, como toda criatura apaixonada.
Engraçado né... eu tinha 6 anos apenas, era normal ter atitudes idiotas. Mas hoje, com quase VINTE, eu ainda faço e sinto a mesma coisa quando me apaixono! 
Credo, que doença.


oi ônibus, você chegou.
Tchau.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

enquanto o ônibus não vem

eu me apaixono todo dia,
uma música,
um lugar,
uma pessoa,
eu me apaixono todo dia.
Tenho uma coleção de paixões, uma coleção de pontinhas de lápis de cor, uma coleção de ex-namorados, uma coleção de garrafas que aparecem na minha bolsa depois da madrugada, uma coleção de músicas, de frases, de sonhos que fazem fila para serem sonhados, e muitas coleções de coleções.
Cada dia eu penso em fazer uma tatuagem diferente, e cada dia eu mudo de ideia e digo "pronto, é essa e fim", mas no outro dia eu mudo de ideia e penso em outra que era mais incrível que a do dia anterior, que por sua vez era mais linda do que a de antes de ontem, que era mais maravilhosa que a de semana passada e resumindo: eu nunca fiz uma tatuagem por isso.
Eu mudo de roupa, de sapato e de opinião todo dia, e tudo que é para sempre me assusta. Nunca consegui ficar mais de 6 meses com um cara, nem com o mesmo corte de cabelo. Cada vez que eu termino um relacionamento, eu corto o cabelo (isso explica porque meu cabelo é curto, e porque eu corto todo mês).
Conheço muitas pessoas interessantes, que me entendem, que gostam dos mesmos filmes que eu, que não vão embora quando eu preciso que elas fiquem, que não comem carne e que sorriem na segunda-feira de manhã. (Mas eu também conheço pessoas que existem.)
Tenho medo quando as coisas dão certo, tenho medo do sentido horário, tenho medo do testado e aprovado pelo INMETRO, tenho medo da polícia, dos advogados e de perder a comanda no bar.

O ônibus chegou, beijos.


foto: Regi Dani